sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Fugas...

Não sei se já repararam, mas quando alguma coisa corre mal na nossa vida temos a tendência para dizer algo do estilo "só me apetece sair daqui" ou "quero desaparecer já". É o nosso instinto que nos diz que se dormirmos durante 1 semana tudo vai melhorar, os problemas vão desaparecer. No entanto, acabamos por enfrentar mais cedo ou mais tarde o problema, e não é por termos fugido que a questão desaparece.
Como sei disto? Porque também eu fugi um dia. Sim, sempre quis viver fora. Sim, abdiquei disso no passado. Sim adoro viver em Madrid, e foi uma grande oportunidade profissional. Mas, se não tivesse acontecido o que aconteceu não sei se teria tido a coragem para sair de Portugal. A verdade é que na 2ª feira a seguir ao sucedido eu estava a pedir para ser transferida. Naquele momento, era incomportável para mim estar sempre a encontrá-lo, a partilhar amigos, sorrir e falar com aquele que um dia foi a minha grande paixão e, pior ainda, melhor amigo.
Assim que, apesar de o ter negado muitas vezes, fugi para Madrid. Se me arrependo? Não, é óbvio que não. Arrisco-me a dizer que foi a melhor decisão que alguma vez tomei. Mas a pergunta correcta é se a minha fuga fez com que tudo desaparecesse, o desgosto, a raiva, a incompreensão. E não, não fez, porque eu saí de Portugal, mas o meu coração partido veio comigo.
Durante muito tempo, apesar de estar a ter "the time of my life" em Madrid, ainda pensava nas coisas, ainda chorava, ainda me sentia magoada. Finalmente passou. Um dia acordei e não pensei nele. Depois outro dia, e outro, e outro. Simplesmente, o tempo curou o que eu pensava que não tinha cura. Se fiquei com sequelas? Bom, quem leu os outros posts sabe que sim, mas isso tem que ser trabalhado diariamente.
Sabem o que aprendi? Que o tempo cura tudo, mas a distância não. E que só depende de nós alcançarmos a cura, juntar as peças. E, para isso, temos de perceber que não tivemos culpa, que não estava destinado, que seremos felizes um dia... E ter muita paciência...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Desejo, Espero, Acredito...

Desejo o dia em que, ao acordar, me sinta completa. Espero pacientemente por esse dia, apesar de parecer que está tão distante. Acredito que chegará, mas sei que tenho muito que fazer por mim até merecer esse dia.
Quero livrar-me do peso que carrego nos meus ombros há tanto tempo e sei que só depende de mim. Não é fácil, mas todos os dias luto para conseguir ver a luz, para me sentir envolvida no calor da serenidade. Já estive mais longe, isso é certo.
Durante muito tempo achei que, para me descobrir, tinha de encontrar outra pessoa que me validasse. Hoje sei que isso não é o correcto, que só me cabe a mim encontrar a pessoa que sou, ver o que tenho de especial, o que me distingue do resto das pessoas. Todos temos algo dentro de nós que nos torna únicos, e é uma pena que alguns nunca cheguem a encontrar o quê.
Como o fazer? Penso que basta acreditarmos realmente em nós, ter esperança, saber que alcançaremos tudo o que nus propusermos.
Basta reconhecer o nosso valor para torná-lo visível a todos os que nos rodeiam. Se é fácil? Claro que não, mas a vida não teria tanta piada se tudo fosse fácil...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um dia que será muito feliz!

Imagino-a. No vestido (que será lindo de certeza), acompanhada pelo pai. A entrar na igreja. Linda, feliz, com aquele ar de quem tem a certeza do passo que está a dar, com a certeza que será muito feliz. Imagino-o a olhar para ela, à medida que ela vai caminhando em direcção a ele, com aquele olhar que só quem ama de verdade consegue ter para a pessoa amada.
Estaremos lá, nós, as amigas, emocionadas nos nossos vestidos, todas produzidas a borrar a maquilhagem com a emoção que será impossível conter. Será o primeiro casamento do nosso grupo de amigas e será logo o teu!
Estou muito feliz por ti e pelo R. e sei que vai ser um dia lindo, tal como a vossa relação. Lembro-me das nossas conversas de há 3 anos, do que vocês passaram, da tua teimosia em assumir (mais para ti mesma que para os outros) que era com ele que querias estar.
Olho para vocês e encho-me de esperança. Afinal ainda é possível! Sei que um dia também eu te farei a surpresa que me fizeste 5ª feira e sei que ficarás tão feliz como eu fiquei por ti.
K. sabes que te ADORO e quero apenas que sejas muito muito muito feliz (sei que serás). Estaremos lá para te ver no teu dia especial.

Muitas felicidades!!!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Up in the air...


Up in the air, um filme do qual gostei bastante. Muito mesmo. Mostra como uma pessoa que à primeira vista parece desprovida de qualquer tipo de emoção, afinal pode baixar essa fachada... Infelizmente por vezes pode ser tarde demais...
Bom, lembrei-me deste filme porque ultimamente o aeroporto tem sido a minha segunda casa. Desde que mudei de equipa vou a Lisboa todas as semanas em reuniões, volto para Madrid e saio de fim de semana para um outro sítio qualquer. Quase que perdia o voo para Budapeste por causa disso. Assim que quase tenho passado mais horas no aeroporto do que em casa. Isto cansa, não pensem que não... Tudo bem, posso ver a família e amigos, mas é tudo tão rápido que nem sabe a nada. Ultimamente, a minha mala está quase sempre feita. 
Passar todas estas horas sozinha num sítio com tanta gente mas ao mesmo tempo tão solitário como o aeroporto fez-me pensar. Pensei em muita coisa sobre mim, sobre a minha vida, sobre o que quero para o meu futuro, sobre ultrapassar o meu passado. No fundo, não sei se isto me faz bem ou mal. A minha fachada tem caído cada vez mais, mas ao mesmo tempo fico contente que assim seja. Digo o que penso, mesmo que não agrade, que era uma coisa que não costumava fazer com medo do que os outros pudessem pensar, de como pudessem reagir. Não finjo que gosto quando não gosto, mostro-me como sou. 
Ainda assim, a solidão às vezes cruza o meu espírito. Sim, tenho muitos amigos, sim, viajo muito, sim, gosto do meu trabalho. Mas falta qualquer coisa. Tenho tentado melhorar-me a todos os níveis e tento não pensar nisso, sei que mais cedo ou mais tarde vai aparecer alguém para mim. Mas é difícil não pensar nisso uma única vez. Ainda assim, vou vivendo a minha vida, fazendo as minhas coisas e esquecendo pessoas que me magoam ou magoaram. 
That's life, right? 
Bom, e agora, depois deste desabafo, tenho de ir fazer a mala, que amanhã é dia de dar uma de George Clooney outra vez...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

The End

Tenho muitos defeitos, eu sei e assumo. Sou teimosa, intransigente e bastante irritante quando me chateio. Não admito que me façam o que sou incapaz de fazer aos outros, especialmente se se trata de amigos. Não sou uma pessoa que fique calada quando se passa alguma coisa que não me agrada ou com a qual não concordo. O que mais me irrita? Quando as pessoas fogem dos conflitos, da discussão, e resolvem pensar "já lhe passa" em vez de perceberem que podem realmente ter magoado (mais uma vez) a outra pessoa.
Já tive grandes desilusões com amigos e sou da opinião que quanto mais se gosta das pessoas mais se sofre com isso. Normalmente fico chateada, deito tudo para fora e faço as pazes. Mas muito recentemente cheguei ao meu ponto de ebulição com uma pessoa que eu adoro (sim adoro, no presente) e resolvi afastar-me.
Não suporto quando as pessoas mudam de repente e passamos a ser secundários quando tinhamos um papel principal. Não suporto quando as pessoas que gostavam de estar connosco e dizer parvoices e ser nossos amigos, de repente acham que nós já não somos "fixes" o suficiente para jantar connosco, para sair connosco, para falar connosco.
Sabes que isto é para ti. De certeza que achas que estou a exagerar, que é mais uma das minhas birras de mimada, que não te compreendo e que não tenho razão. Gostava que percebesses o quanto me magoaste nos últimos meses, pensa nas vezes que simplesmente preferiste não estar comigo mesmo sabendo que estava sozinha, preferiste não fazer o esforço para manter uma amizade que para mim era como se fosse de irmãos. Pode ser que um dia percebas a tristeza que me causaste e que, mesmo não falando contigo neste momento, penso em ti e sinto a tua falta. Sinceramente, cansei-me de ser a 2ª escolha, cansei-me de insistir para que estivesses comigo, de esperar pelo teu telefonema para sair, que agisses como sempre fazias desde que nos conhecemos até há um tempo atrás.
Sinto-me muito magoada contigo, já te disse e esta é a última vez que o repito, porque acho que simplesmente deixei de ter importância para ti. São precisos 2 para manter uma amizade, e eu cansei-me de dar os 100%. Espero que algum dia acordes deste teu momento de deslumbramento e te voltes a recordar das pessoas que mais gostam de ti aqui, que estão sempre disponíveis para ti, mesmo com a simplicidade e humildade que não é comum a outras pessoas pelas quais nos trocaste. Até lá não te volto a chatear, dou-te o teu espaço.
Sei que estas palavras são em vão porque o teu nível de sensibilidade neste momento é zero. Mas precisava de aliviar o meu coração que, aliás estará sempre aberto para ti.
Para já, restam-me as recordações de muitos bons tempos que passámos juntos.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Budapeste!

Mais um fim de semana passado fora. Desta vez o destino foi Budapeste e adorei. Acho fascinante como países que passaram por tantas coisas tão opostas (neste caso nazismo e comunismo) conseguem ter orgulho na sua história, exceptuando claro essa parte da história em que a sua cultura foi subjugada aos interesses daqueles que se acham superiores e que têm o direito de dominar povos à custa de um "interesse superior" que não passa afinal dos seus interesses. Fico triste por vezes, porque não aprendemos com o que se passou no passado. Ainda hoje existem pessoas a cometerem crimes contra a Humanidade sem que ninguém faça absolutamente nada.
Enfim, viajar por estes sítios é importantíssimo para relembrar o que passámos na história recente e para aprender muito mais sobre nós.
Adoro viajar, e a verdade é que viajo muito. As pessoas normalmente mandam aquele tipo de "bocas" do "ah, vive-se bem" ou "não paras". Respondo sempre a mesma coisa a essas pessoas. Viajar simplesmente é a minha prioridade neste momento. Não me importa o carro que conduzo, desde que ande, nem a casa onde vivo, desde que tenha o mínimo de condições. Penso que quando olhar para trás aos 50 anos é das experiências que vivi e dos sítios que visitei que me vou lembrar, não do que tinha, da casa, do carro, da mala de 500 euros. Por isso viajo.
Para já fica a sugestão, visitem Budapeste e, especialmente, a Casa do Terror, que é um museu que relembra os tempos (infelizes) do nazismo e do comunismo. Na próxima semana faço a minha primeira incursão pela ex-Jugoslávia em Belgrado. Depois conto!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Better said than done

Acredito muito na força da amizade. Acredito que esta às vezes pode ser tão forte que se torna num amor incondicional. Os amigos são a nossa segunda família e, por vezes, são mesmo a nossa família.
Em Madrid tenho uma família. A R. e eu somos tão próximas que nos compreendemos completamente, mesmo sendo tão diferentes como o dia da noite. Estamos lá uma para a outra, sempre à distância de um telefonema, divertimo-nos muito e também discutimos acesamente, embora passado 5 minutos já esteja tudo esquecido. Ela, a M. e a L. são as minhas amigas mais próximas aqui, são as pessoas com quem posso sempre contar, tenho muita sorte em ter estas pessoas aqui e sempre disponíveis.
Os amigos, os verdadeiros isto é, são aqueles que não têm problemas em criticar-nos na nossa cara, em mandar-nos calar quando necessário, zelam pelo nosso bem-estar e felicidade. Dão-nos conselhos e avisos. E é aqui que quero chegar. Muitas vezes os amigos avisam-nos de que o caminho que estamos prestes a escolher não é o melhor. Ora, sabendo que os nossos amigos só querem o melhor para nós, deveríamos seguir os seus conselhos, certo? Então porque não os seguimos tantas vezes?
Bom, eu tenho a minha teoria. Em muitos episódios da minha vida tive os meus amigos a avisarem-me que a escolha que estava a fazer não era a melhor para mim, que só me iria magoar, e ainda assim fiz a minha escolha, segui com ela. Magoei-me? Sim, mas eu acredito que só assim aprendemos. Acredito que só caindo nos podemos levantar mais fortes. Acredito que por vezes é importante sofrer, porque só assim aprendemos a lição sem passar o resto da vida a pensar "E se..."
Ninguém gosta de sofrer, de ser magoado, mas todos já passámos ou vamos passar por isso. Eu já passei muitas vezes, especialmente no que diz respeito à minha vida sentimental. Valeu a pena? Valeu, tornei-me na pessoa que sou hoje.
Muitas vezes senti-me triste, deprimida e, durante quase 2 anos, amargurada. Por vezes penso quantas vezes pode um coração ser partido, se não era melhor desistir, seguir todos os que dizem que somos fantásticos, que não precisamos de alguém especial. Até o meu cérebro me diz isto, mas logo o coração fala mais alto e diz: vale a pena, continua a procurar alguém que te apoie em tudo, alguém para passar as tardes chuvosas contigo, alguém que te ame de verdade, eu aguento ser partido as vezes que forem necessárias porque no final valerá a pena!
Afinal, a esperança é a última a morrer, certo?