sábado, 19 de março de 2011

Há vezes...

Em que as pessoas certas se encontram no sítio certo na hora errada. E depois do breve encontro, depois de terem partido cada uma para seu lado, ficam a pensar "e se?"...

terça-feira, 15 de março de 2011

Fala sério...

Por amor de deus! São 11h40 da manhã e só penso em levantar da minha cadeirinha e conduzir 600kms até Lisboa só para pregar um par de estalos em todos aqueles senhores que estão confortavelmente sentados lá para os lados de São Bento a dormir uma sestinha (a pré-almoço). Então querem voltar atrás com a decisão de aumentar o IVA do golfe para 23% e mantê-lo na taxa reduzida de 6% porque dizem que o turismo/golfe vai ser a base da recuperação económica do país. Hilariante! Especialmente quando o IVA do peixe, da fruta, da coca-cola e até do atum está em 23%.
Ou seja, os nossos queridos políticos preferem que a população passe fome desde que tenham ingleses a pagar pouco para jogar golfe em Vilamoura.
Concordo que o turismo é a nossa melhor hipótese de sairmos deste poço de tristeza, mas precisamente porque já temos condições consideradas como das melhores da Europa para a prática de golfe e porque o público target considera Portugal mega barato (perguntem a qualquer inglês) não faz sentido não aumentar o IVA num serviço que é de luxo. Especialmente se se aumenta noutros que são essenciais, ou quase.
Há outras formas de promover o turismo em Portugal e, mais importante, a marca Portugal. Dou um exemplo. Tentem encontrar um vinho português em Espanha. Ou um queijo. Ou um enchido. A sério, tentem. Estamos ao lado, por amor da santa, e não há produtos portugueses. E que tal o Governo apostar em medidas para facilitar a exportação dos nossos produtos??? Do outro lado do Atlântico existe um país com um crescimento brutal que fala a nossa língua, e onde a classe média está a desabrochar e onde as pessoas todas dizem "gostava tanto de ir a Portugal!" e não há uma publicidade ao turismo português. Os jovens brasileiros que vêm fazer o chamado "mochilão" pela Europa aterram em Madrid e seguem para Londres, Paris, Amsterdão, Berlim e não passam por Lisboa. Porquê? Porque não promovemos absolutamente nada no Brasil. Mais grave, temos a TAP a voar para um monte de cidades no Brasil e as pessoas preferem ir de Ibéria, porque é mais barato. Ora saindo de Madrid são mais kms do que saindo de Lisboa, que tal a TAP promover o turismo em Portugal oferecendo pacotes a preços razoáveis para os brasileiros (não digo baratos, porque já existe muito dinheiro no Brasil, mas preços competitivos)?
Realmente, se querem que o turismo seja a base do nosso crescimento económico, não é através da redução do IVA dos campos de golfe que vamos conseguir. Mas como infelizmente os nossos políticos são apenas isso - políticos - não existe noção económica. E isto é muito grave...

segunda-feira, 14 de março de 2011

Brasil...

Voltei para o deserto madrileño e estou com uma depressão pós-férias que meu deus...
Mais uma vez o Brasil não desiludiu (apesar das nuvens e chuva constantes) e o Rio de Janeiro continua lindo (aquele abraço). Diverti-me muito, mesmo. Comi e bebi (claro) muito bem. Fiz mais amizades, conversei com gente muito interessante, dancei muito e estive com grandes amigos que não via há um ano ou mais, mas que continuam no coração.
Para além do Rio, aproveitei para dar um saltinho a São Paulo e fazer algumas entrevistas. Cada vez mais sinto que a minha vida tem de passar por lá. Não, não é porque adoro a festa no Brasil e os brasileiros, ou porque acho que só vou apanhar sol o ano inteiro. Para quem trabalha no mercado financeiro, São Paulo é o sítio para se estar neste momento, é lá que o mundo move. Na Faria Lima ou na Paulista e até no Morumbi, respira-se mercado financeiro. Aqueles arranha céus gigantes deslumbram quem ama o mercado, e quem quer estar no centro de tudo. O Brasil, apesar das suas graves desigualdades, é já a 7ª economia mundial, e há que entrar agora na bolha que se está a formar. 
Depois de dois anos de Madrid e 4 do banco onde trabalho, é altura de mudar. Londres é uma opção, claro. Mas São Paulo é a prioridade. Quem me ouve falar vem logo com a mesma pergunta: não tens medo dos assaltos? Respondo sempre que a insegurança já não é o que era há 10 anos atrás. Em São Paulo as favelas estão fora do centro financeiro. Claro, não ando lá carregada de jóias nem com um carro topo de gama, há que fazer uma adaptação a uma realidade diferente. Mas também não andam não sei quantas pessoas na rua com armas a assaltar toda a gente. Nem no Rio já é assim. Estive 2 semanas tranquila, a caminhar por toda a Zona Sul do Rio e nada. Nada de nada. Quando cheguei hoje, soube que o pai de um colega foi vitima de carjacking em Lisboa e está em estado grave no hospital depois de ter sido baleado. 
O mundo mudou. O que antes era super seguro, hoje já não é. Se tenho de me adaptar e ser mais discreta e habituar à ideia de não resistir a um assalto para viver na cidade que mais está a crescer no mundo financeiro, pago esse preço. Sem olhar para trás. 
Espero ter novidades em breve, penso que até Abril/Maio a minha vida ficará resolvida. 

sexta-feira, 4 de março de 2011

Águas de Março...

Já dizia a música do Jobim... São as águas de Março, fechando o Verão, é promessa de vida no teu coração.
So far, em 5 dias apanhei 2 de sol, que se traduziram em 4h de praia, no total. Dizem que amanhã melhora. Espero bem que sim, porque nem morta volto para Madrid branca.
No entanto tenho a dizer que o Rio de Janeiro continua lindo!
BTW: amanhã vou saltar do morro de Santa Teresa de asa delta! ahahahahahah
E agora vou só ali a um aniversário de uma actriz numa discoteca na Lagoa Rodrigo de Freitas!!!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Retrato de um país... à rasca

Gosto muito dos Deolinda. Adoro ouvi-los e por a sua música a tocar em casa quando recebo amigos de outros países. As músicas são divertidas, a voz da Ana Bacalhau é fantástica e os Deolinda transmitem portugalidade. Recentemente, este que é um grupo que eu admiro, fez uma música (que ainda não tive oportunidade de ouvir) de seu nome "Parva que sou" e que transmite o sentimento de muitos jovens portugueses que são trabalhadores precários.
Sou solidária para com estes jovens, mas tenho uma opinião muito impopular sobre este tema (e, pasmem-se, considero-me uma pessoa centro-esquerdista). Quando leio/vejo reportagens sobre a precariedade e o desemprego de jovens licenciados, onde os mesmos falam na sua dificuldade em encontrar um emprego, quase sempre há uma coisa em comum: uma licenciatura que toda a gente sabe que tem pouca ou nenhuma saida em Portugal. Eles são licenciados em Relações Internacionais, outros em Música via Ensino, outros ainda em Biologia - vertente aves do Minho. Meus amigos, escolher um curso superior não tem como único imput o que nós achamos que é muito giro, há que pensar nas reais saídas desse curso no país em que estamos sob pena de... não encontrarmos emprego.
Felizmente licenciei-me num curso que tem uma empregabilidade de quase 100%, tal como todos os cursos oferecidos pela minha faculdade. Penso que isto se deve ao facto de serem cursos bastante polivalentes e com muita procura por parte de empresas. Saí da faculdade já com emprego e a maioria dos meus amigos também. Mas o meu sonho não era tirar esse curso, apesar de ter adorado seguir a área que segui. Até ter de optar no 10º ano por uma área, queria tirar Astrofísica. Sim, é verdade, o meu sonho era passar a vida a observar estrelas e planetas e estudar o Universo (eu sei, muito nerd). Ainda hoje devoro documentários sobre estes temas. No entanto, quando tive de optar, optei por ter emprego. Desculpem mas é mesmo assim. As pessoas dizem que quando alguém é bom arranja trabalho. Concordo. Mas se em Economia ou Gestão ou Engenharias são os 300 melhores que são empregados, num curso como Astrofísica ou Política Social, se calhar é só o melhor que arranja um emprego de jeito, e muitas vezes fora do país.
A culpa é só dos jovens? Óbvio que não. A culpa, na minha humilde opinião, é de sucessivos governos que não tiveram coragem de fechar cursos que obviamente não têm qualquer saída em Portugal, ou que já têm demasiados licenciados (caso dos professores). Temos não sei quantos licenciados em cursos que não dão para nada, mas depois o CEO da Jerónimo Martins diz que não tem talhantes.
Realmente somos um país à rasca, mas eu recuso-me a classificar a minha geração de geração à rasca. No dia em que em Portugal se deixe de tratar por Dr. um simples licenciado, e se comece a pagar o trabalho consoante a falta que faz, aí talvez isto ande para a frente. Até lá, as pessoas vão continuar à espera que o Governo resolva tudo, recusando-se a ser empreendedoras ou a sujeitar-se a empregos que não são bem o que queriam. E deixam de fazer manifestações por tudo e por nada à espera que terceiros resolvam os seus problemas. E já nem falo dos desempregados profissionais. Esses para mim, no dia em que rejeitassem um emprego, ficavam sem subsídio, porque se o subsídio não durasse o que dura, as pessoas em vez de ficarem em casa a ver TV porque "ainda tenho ano e meio de não fazer um cu e receber", começavam a procurar trabalho e a contribuir para tirar este país de onde está, porque quem acham que o meteu lá? Não foram os governos, fomos nós, portugueses!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011