terça-feira, 4 de setembro de 2012

A minha avó...

A minha avó nasceu numa aldeia no Alentejo chamada Aldeia de Mato, hoje São Pedro do Corval.
A minha avó conheceu o meu avô, apaixonou-se, casou, e foi feliz com ele até à morte dele.
A minha avó foi grávida de 8 meses e com dois filhos pequenos pela mão do Alentejo até ao Barreiro quando o meu avô conseguiu um emprego em Lisboa.
A minha avó criou 3 filhos numa casa com um quarto e uma sala. E ainda assim nunca lhes faltou nada.
A minha avó foi ama de bebés, senhora da limpeza, costureira e fez ginástica orçamental para dar de comer aos três filhos.
A minha avó teve muitos desgostos na vida, mas também muitas alegrias.
A minha avó vive na mesma casa há 47 anos, uma casa que já esteve cheia com filhos, com netos, de onde a minha mãe e a minha tia saíram para casar, uma casa onde eu fui criada e onde ainda hoje sinto como minha.
A minha avó fala das "velhas" da rua dela, que só se queixam de dores por todo o lado aos 60 anos.
A minha avó ainda vai ao supermercado, ainda trata da casa, ainda me faz o empadão que eu adoro.
A minha avó continua a viver, apesar de ter perdido o companheiro que tanta falta lhe faz.
A minha avó faz hoje 80 anos, e eu não lhe posso dar o abraço que tanto quero dar por estar longe. Mas ao mesmo tempo, a minha avó está sempre comigo, e quando hoje atendeu o telefone à neta mais velha e que vive longe, a minha avó ainda me atendeu com o "então minha menina?" de sempre.
A minha avó é a melhor avó do mundo (pelo menos para mim) e por isso deixo aqui o meu parabéns avó!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Serviço público e outros mitos

Muito se tem falado nos últimos meses sobre a possível privatização da RTP e em que parâmetros se iria proceder à mesma. O óbvio para mim é que um dos dois canais "públicos" deve ser privatizado. Ou então um deve desaparecer. 
Penso que é muito difícil determinar o que é o chamado "serviço público". Muita gente defende que a RTP2 é o verdadeiro serviço público, passa programas culturais, cobre desportos que mais ninguém cobre, passa filmes feitos na Roménia e no Bangladesh. Muito bonito, diferente. Acontece que ninguém vê a RTP2, ou vê programas esporádicamente. Eu mesma de vez em quando vejo algum documentário da National Geographic, ou os Simpsons. Mas aqui mesmo é que está, devería a RTP2 passar os Simpsons? Em que medida passar uma série que está disponível no cabo faz sentido num canal dito público. Por outro lado, a RTP2 não é rentável. Ora, a maioria das pessoas diz "se é público não tem de ser rentável". Discordo totalmente. E discordo ainda mais porque há um outro canal "público" que tem publicidade privada e que também não é rentável. E que tenta ser igual aos canais privados. Qual o sentido disto? Qual o sentido de ter 2 canais que pararam no tempo, que pagam uma fortuna a pivots e apresentadores, e que são dos menos vistos? 
Agora o ponto de se é público não tem de ser rentável. Tem sim. E tem porque os impostos deveriam ser vistos como um investimento e não como dinheiro deitado fora. E infelizmente ainda não percebemos isto em Portugal, seja em relação à televisão, ao serviço nacional de saúde, à educação. Eu explico. Se pago impostos, é porque espero no futuro ter um retorno a esses impostos, vulgo "reforma". O Estado deve então aplicar esses impostos de forma a que no futuro tenha mais dinheiro do que tem agora, ou seja, deve rentabilizar o investimento (impostos). O investidor (todos os portugueses que pagam impostos) deve ter direito a receber o seu investimento mais um bónus por ter emprestado dinheiro ao estado durante tanto tempo. Acontece que isto não está a acontecer. E não acontece porque o dinheiro não é bem investido, pelo menos no caso da televisão pública. E, na verdade, em nenhuma vertente. Se eu pago impostos que financiam o estudo das criancinhas, essas criancinhas devem conseguir trabalhar no futuro para pagar impostos que devolvam o meu capital investido. Além disso, devem contribuir para aumentar a produtividade do país. No serviço nacional de saúde não vou falar agora, penso que existe ainda hoje confusão no que diz respeito ao conceito de estado social. Seguimos o modelo britânico e poderíamos aprender com os nórdicos, mas enfim.
A questão para mim é esta: é um mito pensar que uma televisão como a RTP2 faz serviço público quando só serve para meia dúzia de pessoas, e a RTP1 é mais privada que outra coisa no conteúdo. Para mim, feche-se a RTP2 e altere-se o modelo da RTP1 para ficar mais parecida com a BBC (sempre a referência). Mas também digo, adopte-se o modelo de gestão da BBC... 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Nova Rubrica - Frases para dizer quando se quer sair por cima...

E temos nova rúbrica: Frases para dizer quando se quer sair por cima. Claro que são frases para aplicar quando aquele querido com quem andamos a sair ou até consideravamos um possível futuro marido nos vem com uma história do tipo "adoro mulheres e não me posso comprometer" ou "a tua independência financeira assusta-me". 

#1 - "Vales menos que o pus da borbulha do meu cu"

Forte, já sei, mas não consegui deixar de partilhar esta...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

2012


Estamos em pleno 2012, século XXI. Supostamente, há 2012 anos veio à Terra um homem que foi um exemplo de compaixão, filho de Deus para uns, "apenas" profeta para outros, um homem normal para outros. Não sei quem era Jesus Cristo, sei que existiu. No entanto, na minha condição de agnóstica confessa, não sei qual das hipóteses corresponde à verdade. Mas sei que no seu tempo marcou o mundo e sei que era judeu. E que alguém o matou. Em nome de medo, religião, o que seja. Isto foi há quase 2000 anos. 
Nestes últimos 2012 anos (e antes disso também), o ser humano teve uma apetência para destruir o que não compreendia, o que nos custou quem sabe a hipótese de hoje estarmos (ainda) mais evoluídos. 
Quando Hernán Cortés chegou ao México em 1519 não se preocupou em entender os observatórios Maias, preocupou-se em matar os Maias e sacar todo o ouro que pudesse. Nessa mesma altura, na Europa perseguiam-se judeus, mouros, e toda a gente cuja religião se diferencia-se da Católica. Isto nos Impérios Português e Espanhol. O custo? Muitos judeus refugiaram-se nos Países Baixos, e começou um boom económico que viria eventualmente a custar o domínio económico Ibérico. 
A Inquisição perseguiu e matou milhares de pessoas, injustamente condenadas por pensarem de forma diferente. Tal como tinha acontecido com Jesus Cristo centenas de anos antes. 
As pessoas podem dizer "ah e tal, isso era a época medieval, não estavam tão evoluídos, não se pode comparar...". Muito bem, concordo que hoje já ninguém condena alguém por dizer que a Terra é redonda. Mas ainda se condena e mata muita gente em nome do que não se conhece. E este é o meu ponto: não aprendemos com o passado. 
Em 1939 um homem foi eleito para governar a Alemanha. Chamava-se Adolf Hitler e pensava que uma só raça era superior, e que para que o mundo fosse um lugar melhor, deveria haver uma selecção e acabar com as raças menores. O resto é história, o Holocausto foi o evento mais vergonhoso da história da (des)humanidade. E quando pensavamos que tinhamos aprendido... Em 1994 ocorre o genocídio no Ruanda, e antes em 1991 começava a guerra da Jugoslávia, entre povos diferentes de um mesmo país. E en 1999 voltamos a ter genocídio no Kosovo. 
Voltemos a 2012. No Sudão, no Uganda, e em muitos países africanos, continua-se a matar gente porque não seguem a mesma cultura. Continua-se a mutilar mulheres, a violar crianças, a queimar aldeias. Tal como no início dos tempos. E pensamos "ah, mas estes países são assim porque a colonização foi mal feita e estão à mercê de ditadores". Correcto. Vamos ver então o que se passa no "Mundo Desenvolvido". 
Estados Unidos, 2012: Um candidato a senador diz que todo o tipo de aborto deve ser proibido, inclusivé se for o caso de uma violação porque gravidezes derivadas de violações quase não porque o corpo não o permite, tem mecanismos para o evitar. O partido Republicano aprova então para o seu programa a proibição total do aborto. Muito evoluído. Nas escolas da América profunda, passou-se a ensinar o Creaccionismo como verdade e não como metáfora. Neste momento, há milhões de crianças a achar que realmente derivamos todos de Adão e Eva. 
Rússia, 2012: Madonna é processada por defender os homossexuais e a parada gay de Moscovo é proibida por 100 anos, sim isso mesmo, 100 anos. Ao mesmo tempo, 3 mulheres de um grupo de música são condenadas a 2 anos num "campo prisional" (mais campo de concentração) por protestar contra um Presidente que já foi Primeiro-Ministro e que gosta de tirar umas fotos tipo Chuck Norris no Verão. Um presidente que não garante Direitos Humanos, liberdade de expressão. 
China, 2012: Continuam a ser condenadas pessoas por falarem livremente contra o regime que ainda está vigente na China. Um regime opressivo. 

Resumindo, não aprendemos nada. Eu olho para as notícias no mundo e assusto-me todos os dias. 
E não é para me assustar? 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Animais

Não há maneira fácil de dizer isto, portanto vou dizê-lo directamente: não gosto de animais. Não gostaria de ter um animal, não gosto de brincar com animais, não gosto de estar em sitios com animais. 
Se já me estão a achar uma completa insensível, eu explico. Como é óbvio, não quero que façam mal aos animais, choca-me o abandono e os maus tratos e acho que quem não tem paciência não deve ter animais só porque "é giro". Choca-me que existam huskies em Portugal, quando sofrem imenso com o calor, e choca-me que alguém meta um cão grande num apartamento pequeno e o deixe lá todo o dia sozinho. 
No entanto, eu não quero ter um animal. Não tenho paciência. Desde sempre, muita gente se choca quando vem com o cãozinho e eu nem lhe quero tocar. Pois tenho uma novidade: desde muito pequena que tenho um medo completamente irracional de cães. Mas pânico mesmo. Ao ponto de um cão vir a correr para mim e eu começar a chorar. A reacção dos diversos donos de cães com quem discuti por não levarem o cão com trela era sempre de espanto e de não entender que eu não tenho de brincar com cão nenhum porque simplesmente tenho pânico e não me interessa se "ele só quer brincar", porque eu não quero brincar com um rottweiler quase maior que eu. As pessoas interpretam isto como insensibilidade, eu interpreto com "a liberdade dos outros acaba onde começa a minha". 
As pessoas julgam-me porque não sou dada a animais. Pois eu vejo tanta gente aí dedicada aos animaizinhos e que depois tratam mal tanta gente, tanta criança, tantos velhinhos. Desculpem, mas eu ainda prefiro tratar bem os meus. E mais, prefiro ser assim e não ter animais do que ter e não ter paciência e condições para os cuidar bem. 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Dealbreakers 8!

Ela: "Então quantos anos tens?"
Ele: "23! E tu? Deves ter aí uns 21, não?"
Ela: "Ahahah, obrigada! Mas não, tenho 27."
Ele: "Não és assim tão velha..."

Trabalhar em Agosto

Desde que comecei a trabalhar que faço questão de trabalhar em Agosto. Primeiro porque é um mês muito calmo, que posso aproveitar para pôr em dia todos os temas que fui adiando durante o ano. Depois porque está muito menos gente, não há trânsito, posso chegar mais tarde e sair mais cedo. Aqui em Madrid então, não há ninguém em Agosto. Enquanto todos lutam para se entender quanto a quem pode tirar que semanas de Agosto, eu resolvo a questão ficando eu por toda a equipa. Perfeito. 
Mas adiante. Finalmente voltei a escrever aqui no blog. Não tenho andado especialmente inspirada, a verdade é essa, e também estive de férias. 
Julho foi um mês complicado (excepto nas 2 semanas em que estive de férias). Mês de muito, mas mesmo muito trabalho, muito cansaço. Por isso decidi ir uma semana para Portugal só para descansar. Foi assim a minha primeira semana de férias. Dormir, praia, comer e miminhos da família. Perfeito, simplesmente perfeito. 
Depois, já com as energias renovadas, fui 9 dias até à Grécia. E foi óptimo. Já conhecia Santorini e Mykonos, mas Paros foi uma óptima surpresa. Agora, a verdade é que se nota perfeitamente que os gregos não gostam de trabalhar. Por exemplo, em Paros estivemos 1 hora a tentar que um taxi nos levasse ao nosso hotel, sendo que tivemos respostas como "vocês estão muito longe" (leia-se a 20 minutos e dispostas a pagar fosse o que fosse) ou "agora estou a jantar". Enfim, depois queixam-se da crise. 
De resto foi óptimo, muito divertido e deu para relaxar. 
Nos próximos dias espero conseguir escrever mais.